Lilian Jardim: dos palcos para as ruas de São Paulo
Cantora que já tinha carreira consolidada nos palcos, se arriscou nas movimentas ruas da cidade e, sem grandes expectativas, conseguiu muito mais do que pôde imaginar
Lilian Jardim é uma renomada cantora brasileira. Com uma carreira nacional consolidada, ela está sempre em movimentos, fazendo shows dentro e fora de São Paulo. Apesar de ser muito conhecida e já ter dado entrevistas em grades redes televisivas, como a própria rede Globo, Lilian decidiu se jogar nas ruas de São Paulo e fazer sua arte na extensa avenida Paulista aos domingos, que fica aberta somente para os pedestres até 18h. Na entrevista a seguir, concedida justamente na Paulista, palco das apresentações da artista, ela fala sobre o início de sua carreira na música, suas pretensões futuras e grandes conquistas.
Arte na Rua Paulistana: Lilian, como é sua carreira fora das ruas de São Paulo?
Lilian Jardim: Eu costumo fazer shows por todo estado de São Paulo e também fora dele. Inclusive, sempre faço shows pelo SESC paulista.
A.R.P: O que te levou a começar a cantar nas ruas?
L.J: Eu estava um dia em casa e queria muito tocar, pois eu gosto muito e quis usufruir do meu tempo de uma maneira melhor e eu vim. Vim sozinha, pois chamei algumas pessoas e ninguém teve coragem de vir, então eu fui ao centro e pedi para alguns engraxates me emprestarem uma tomada, pois não tinha gerador na época, e comecei a tocar para ver como as pessoas iam reagir e o resultado foi muito positivo, desde então eu não parei mais. Sempre que posso venho tocar.
A.R.P: Quanto tempo você tem de carreira?
L.J: De carreira mesmo eu já perdi as contas, faz muito tempo que eu faço e vivo exclusivamente disso, mas nas ruas, eu tenho cerca de quatro anos, fui uma das primeiras mulheres a cantar nas ruas de São Paulo.
A.R.P: Você está sempre aqui na Paulista ou também canta em outros locais?
L.J: Eu costumo cantar aqui na Paulista já faz um tempo, mas não estou aqui todos os domingos, porém, venho sempre que posso, sempre que tenho tempo livre, mas algumas vezes, venho e não consigo tocar, pois aqui não tem um lugar reservado, se tiver espaço, fico, senão, eu preciso voltar para casa, é algo bem incerto na verdade.
A.R.P: Lilian, hoje você está com 40 anos, você já programou uma parada para sua carreira nas ruas?
L.J: Por enquanto, não penso em sair das ruas, inclusive, vou tentar fazer a mesma coisa em Nova York, vou ficar lá um mês, vou para passear, mas vou tocar na rua e ver como as pessoas reagem.
A.R.P: Enquanto ao repertório, você costuma apresentar o quê?
L.J: Eu costumo mesclar minhas músicas autorais com grandes composições de MPB, canto Cássia Eller, Cazuza, Legião Urbana, Caetano Veloso, mas aproveito bastante para mostrar meu trabalho autoral.
A.R.P: E o dinheiro, como funciona essa parte?
L.J: O dinheiro é muito importante, claro. Eu venho aqui pela experiência, para me aproximar do público, mas eu vivo disso, então preciso. Costumo dizer que vir aqui é como ir cantar em uma padaria, eu não posso tocar em troca de pão, então aqui passamos o chapéu, ajuda quem sentir desejo, e também faço a venda dos meus CD’s.
A.R.P: Você está concorrendo a um prêmio, fala um pouco dele para gente.
L.J: É o Prêmio Profissionais da Música, uma categoria de prêmios que está na estrada há cinco anos e é dedicado totalmente aos músicos. Sou a única mulher a concorrer a premiação, que ainda não teve seu resultado final, na categoria ‘Som de Rua’. Estou na fase final, aguardando o resultado.
A.R.P: E qual a importância desse prêmio?
L.J: Financeiramente falando, não há, pois o prêmio não envolve dinheiro, esses prêmios dão credibilidades para o artista, pois as pessoas ainda são muito apegadas a rótulos, então, todo prêmio que a gente ganha, quando as pessoas olham para o nosso trabalho, olham com um pouco mais de respeito. Eu acredito que seja apenas mais um rótulo, mas é um rótulo necessário.
A.R.P: Percebemos que no final do show, há um grande assédio do público, como você lida com isso?
L.J: Muitas dessas pessoas me conhecem daqui da Paulista e começaram a acompanhar meu trabalho, então, elas estão sempre nos meus shows. Eu gosto de reservar um tempo para eles, pois muitas vezes eles só querem conversar, receber um abraço, um carinho do público.


Simpática, a cantora concede um tempo especial para atender o público que busca um carinho do artista.
Foto: Paloma Tavares
Lilian canta nas ruas de São Paulo há quatro anos e recebe um público que vai até a Paulista somente para vê-la se apresentar
Foto: Paloma Tavares
Avenida Paulista - O Recanto dos Artistas de Rua
Há quem diga que a Paulista começa no Paraíso e termina na Consolação, no entanto para quem aproveita o espaço, a recíproca não é verdadeira, uma vez que a avenida faz parte do programa Ruas Abertas, que visa aumentar o espaço de lazer para a população.
Aberta ao público desde 2015, a Paulista virou palco de apresentações para muitos artistas de rua mostrarem seus talentos aos domingos e feriados. Ao longo de seus 2,7 quilômetros, acontece uma vasta programação, que vai desde cantores, dançarinos, instrumentistas e até estátuas vivas. Alguns visam entretenimento, já outros, o sustento e reconhecimento..
Como é o caso de Márcio Aguiar, de 45 anos, que se apresenta como Elvis Presley desde 2011, e já foi entrevistado por inúmeros veículos de comunicação.
“Eu comecei imitando outros artistas famosos, mas foi com o Elvis que consolidei minha carreira e esse é o meu trabalho”, disse Márcio. O cover caiu no agrado do público pelo carisma e autenticidade. Contrário ao que parece, “Elvis”, diz que canta mesmo em inglês e aprendeu o idioma ouvindo o rei rock.
Do outro lado da via, uma vez ao mês, é possível dançar rockabilly com o grupo Ruackabilly, que vai à Paulista com DJ, cantor e pista de dança, apenas para compartilhar a alegria da música com as pessoas.
Rebeca Félix, de 32 anos, uma das organizadoras do projeto, explica: “o projeto Ruackabilly foi criado em Fevereiro de 2018, com o intuito de divulgar o rock dos anos 70, e estimular as pessoas dançarem. Para quem não sabe dançar, a gente ensina”.
Mais a frente, a dança fica por conta do grupo Jazz na rua, com o ritmo lindy hop, que de acordo com a integrante, Marieta Colucci, de 29 anos, a equipe foi criada em 2015. “O propósito é popularizar essa dança, por isso os eventos são itinerantes, o que faz com que nossa vinda a Paulista aconteça apenas duas vezes no ano, e nós passamos o chapéu para pagamento da banda musical”, disse Marieta.
Mais a frente, a dança fica por conta do grupo Jazz na rua, com o ritmo lindy hop, que de acordo com a integrante, Marieta Colucci, de 29 anos, a equipe foi criada em 2015. “O propósito é popularizar essa dança, por isso os eventos são itinerantes, o que faz com que nossa vinda a Paulista aconteça apenas duas vezes no ano, e nós passamos o chapéu para pagamento da banda musical”, disse Marieta.
Asfalto adiante, o DNA Animation exibe sua estreia executando o estilo Pop Animation. Com o conjunto recém criado, o trio de jovens usa a arte para divulgação do seu trabalho. “Nós já trabalhamos com dança, mas hoje é a primeira apresentação do time e esperamos em breve levar o projeto para a televisão”, declara o dançarino Alessandro Martins, de 20 anos.
De acordo com o planejador urbano Rafael Drummond, a Paulista Aberta tem aprovação de 96 por cento dos frequentadores e 75 por cento dos comerciantes aprovam a iniciativa. Para os moradores da região, o conforto sonoro é muito melhor aos domingos, do que quando tem o barulho dos carros durante a semana.
Além de espaço de espetáculos, o local tem clima de ambiente familiar, o visitante pode percorrer a avenida com uso de patins, patinetes e bicicletas, fazendo uso da ciclofaixa existente no local, das 8h da manhã às 18h da tarde.




Elvis da Paulista é uma sub-celebridade na Avenida
Foto: Márcia Fortes
O grupo Ruackabilly, se reúne na Paulista para levar a alegria da dança
Foto: Márcia Fortes
Ao som de Lindy Hop, o Jazz na Rua faz a alegria de populares
Foto: Márcia Fortes
O DNA Animation busca reconhecimento em sua primeira apresentação
Foto: Márcia Fortes